39. Compre a sua liberdade: quanto ela custa? E ainda: prapare-se para o hipercapitalismo

A Lei 3.353 de 13 de maio de 1888, disponível aqui, promoveu um alargamento dos critérios para a escravatura no Brasil.  Ao contrário do que muitos acreditam, ela não aboliu a escravatura, apenas dissimuladamente a ampliou.

Relação de dependência

Mas por que motivo estamos dizendo isso que parece um absurdo? Por um simples motivo: a esmagadora maioria de nossa população depende do trabalho para manter-se, ou seja, precisam prestar serviços por necessidade de ter um salário mínimo. Até aí tudo bem, isso não parece um grande problema. Acontece que os salários básicos parecem ser um pouco inadequados às necessidades da maioria das pessoas. Isso vem bem representado em uma ilustração que queremos compartilhar con ustedes:

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O estilo de vida da maioria dos trabalhadores brasileiros permaneceu bastante similar durante o passar do tempo. Fonte: Imagem do blog Viver Sem Pressa.

Escravidão moderna

Dissimuladamente, a escravidão moderna remonta o período da escravatura "oficial", só que com um viés bem mais amplo, pois abarca todas as raças. Basta uma leitura atenta da imagem e a assimilação com a realidade bem próxima de todos nós. Acontece que estamos por praticamente abolir a escravatura moderna. Esse é o problema. Veja bem, o problema vivido cem anos atrás está retornando com muito mais força, pois agora não estamos mais falando de uma minoria oprimida, mas sim de uma maioria oprimida. O que toda essa gente irá fazer?

Descaso geral

Venho indagando essa problemática faz algum tempo, mas ninguém ainda respondeu a contento como será esta transição. Não percebo movimentação da sociedade civil e muito menos do Estado no preparo para tais adversidades. Oportunamente indaguei publicamente a esse respeito, dois CEOs de algumas gigantes da tecnologia e eles nitidamente desconversaram, mostrando pouca ou nenhuma preocupação com tal fase. A preocupação maior parece ser somente com os lucros. Tudo bem que lucro é bom e todo mundo gosta, mas como ficará o resto da humanidade?

Hipercapitalismo

Mas "wtf is this" que o Sr. Sou Poupador está dizendo afinal de contas? É o seguinte, estamos prestes a viver uma era de hipercapitalismo. Mas o que é isso? É uma economia nunca antes vivida no planeta, na qual as máquinas e robôs fazem quase todo o trabalho. Logo, nesse cenário, boa parte do proletariado ficará a mercê de escassos 'sub'subempregos. Por conseguinte, o que essa gente toda vai fazer?

Controle de natalidade: o tão necessário planejamento familiar

As pessoas têm o direito de ter todos os filhos que puderem sustentar, educar e manter. Mas sinceramente, nossos governos precisam voltar a atenção para ensinar as pessoas de camadas mais baixas, com menor poder aquisitivo, para educação quanto ao planejamento familiar. Tudo bem que nossos teóricos capitalistas falaram antigamente que quanto mais mão de obra disponível melhor, o que representaria a plena saúde do sistema.

Os tempos mudaram

Acontece que os tempos mudaram e precisamos não só de gente, mas de "gente boa", bem qualificada e que tenha condições de oferecer soluções e deixar de ser parte do problema. Responda: O que será melhor, uma família com cinco filhos com ensino fundamental ou a mesma família com dois filhos com ensino médio, com propensão em cursar o ensino superior? Diz a máxima popular: "um é pouco, dois é bom e três é demais". Que tal colocar isso em prática?

Competitividade: conhecimento é a chave

Cada vez mais precisamos de conhecimento e de intelectuais ativos. Nesta senda, torna-se dispensável tanta força bruta, pois já temos máquinas que possuem a força de mais 100 humanos juntos, contudo, ainda faltam no mercado profissionais bem qualificados para o manuseio de tais tecnologias.

Ócio criativo

Nosso povo é extremamente criativo e é mestre na arte do arranjo. Não temos como negar. Mas, se nossos pensadores criativos estiverem acorrentados aos seu trabalhos nada recompensadores e libertadores, certamente continuaremos longe de alguma solução. Além disso, também sabemos que excelentes cabeças acabam voando para o estrangeiro, a procura de melhores condições de vida. 

Compre a sua liberdade

Compre a sua liberdade. Procure formas de ter renda suficiente para acumular o necessário para viver e poder colocar em prática o ócio criativo, pois certamente ele pode ser a verdadeira chave para uma vida plena. Em tal estado de existência, a pessoa pode fazer as coisas por vontade própria e não por obrigação, o que oferece a chance de fazer o que gosta. E quando a gente faz o que gosta, nos tornamos pessoas mais felizes e isso irradia felicidade para quem está em nossa volta tornando o mundo cada vez melhor.

Como comprar a liberdade

Isso depende do seu estado atual de vida e renda. Nos estamos seguindo os conceitos de vida FIRE, na esperança de que nossos rendimentos consigam superar os gastos com as necessidades básicas ao ponto que, mesmo pagando todas as contas, sobre o suficiente para cobrir a inflação sem consumir o montante principal. Essa é a receita de bolo do Sou Poupador. É um trabalho que exige bastante resiliência, principalmente se formos levar em consideração  que a renda fixa com a atual taxa da Selic em 6.5% está virando sinônimo de poupança! Não nos resta outra opção senão aportar mais forte em renda variável, o que exige atenção especial quanto aos riscos inerentes de cada operação.

Fonte: Banco Central do Brasil.

Prepare-se para o hipercapitalismo

Forme sua reserva de emergência logo, antes que seja tarde e qualifique-se para acompanhar as tecnologias cada vez mas presentes em nosso cotidiano. Além de todos os motivos apresentados acima, veja o seguinte fragmento de texto de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy no livro A cultura‑mundo, resposta a uma sociedade desorientada:

"A vitória da livre‑troca planetária devia trazer o crescimento, a estabilidade, a redução da pobreza. O resultado foi, em muitos casos no mundo, o agravamento da miséria, a precariedade, a incerteza do amanhã ou mesmo o risco, que se acreditava desaparecido, das grandes fomes. No que se refere à Europa, ela vive um persistente desemprego em massa, pela crise do Estado‑Previdência, pela fragilização do nível de vida, pela degradação da condição salarial, pela acentuação das desigualdades. Por toda parte, a riqueza do mundo progride ao mesmo tempo que as disparidades se acentuam, tanto no plano dos países quanto no das camadas sociais; os mais ricos são cada vez mais ricos, os mais pobres cada vez mais pobres; no ringue planetário, os winners deixam os loosers no chão. Metade da população do planeta vive com menos de dois euros por dia. A média dos rendimentos dos países ricos é 37 vezes superior à dos vinte países mais pobres do mundo. Trezentos  milhões  de  acionistas,  90%  dos  quais  estão  na  América  do  Norte,  na  Europa  e  no  Japão,  controlam  a  quase  totalidade  da  capitalização bolsista mundial."

Se você leu, acho que deve ter percebido que existe motivo suficiente para definirmos logo alguma estratégia para escapar da marginalização que acomete boa parte do planeta. 

Por mais que muitos não percebam, em nossa maioria, somos "todos" escravos aos olhos do mercado de trabalho. Portanto, compre logo a sua alforria.

Veja como era antigamente, o processo de compra da liberdade segundo o texto  A liberdade negociada de Flávio Moura em entrevista ao Professor na Universidade John Hopkins, nos EUA, Sr. A. J. R. Russell-Wood:

Moura: De que modo o escravo podia acumular recursos para comprar sua liberdade? A que atividades rentáveis ele tinha acesso?

Russell-Wood: Nas zonas de mineração, muitas vezes as negras de tabuleiro não vendiam apenas alimentos, mas também seus corpos. Escravos de ganho podiam estabelecer uma vasta rede de contatos de trabalho. Escravos com habilidades, tais como carpinteiros ou sapateiros, tinham vantagens sobre escravos menos qualificados. Nas zonas de mineração, escravos escondiam ouro em pó ou diamantes para comprar sua liberdade. Nessa mesma região, podiam ser recompensados com a libertação ao encontrar uma pepita grande ou um diamante valioso. Escravos que denunciavam seus donos por não pagamento de impostos também podiam ser libertados por ordem do governador.

Moura: Se não havia lei escrita que obrigasse os proprietários a dar liberdade ao escravo mediante pagamento, por que o faziam?

Russell-Wood: Entendia-se que um proprietário não podia recusar uma oferta razoável. Geralmente, isso equivalia ao valor de um escravo de habilidades semelhantes e do mesmo sexo daquele que buscava libertação. Os escravos tinham direito a prestar queixa contra um dono que se recusasse a aceitar um valor justo. Essas queixas podiam ser feitas ao governador, mas há registros de escravos que apelaram diretamente ao rei. No mais das vezes, o rei decidia em favor do escravo como prova de sua magnanimidade.

Interessante essa entrevista, não? Parece que pouca coisa mudou de lá pra cá. Ou será que alguém ousa discordar?

Uma história sobre comprar a liberdade

É incrível a história contada no texto de Amanda Rossi, no qual ela conta Como escravos entravam na Justiça e faziam poupança para lutar pela liberdade. Ele foi publicado na BBC Brasil, São Paulo em 19 fevereiro 2018. A história é a seguinte:

"Em 1883, Rita entrou com uma ação na Justiça da Imperial Cidade de São Paulo contra o Tenente Julio Nunes Ramalho. Poderia ser mais um processo qualquer, não fosse um fato notável: Rita não era considerada cidadã pela lei brasileira. Era escrava. Já o Tenente Ramalho era seu proprietário. O objeto do caso era o interesse de Rita de comprar sua liberdade.

De Rita, a Justiça sabia pouco. Não tinha sobrenome, nem idade certa - "38 anos aproximadamente". As informações eram apenas que tinha aptidão para o trabalho e era cozinheira, escravizada por Ramalho.

Por não ser livre, Rita não tinha direito a procurar a Justiça diretamente e precisou de um intermediário para representá-la. Tendo obtido uma doação de 200 mil réis "em moeda corrente deste Império", queria comprar sua alforria. Pedia, então, que seu proprietário fosse intimado para declarar se aceitava ou não a quantia. Seu representante conclui o pedido dizendo que o fazia "a rogo da suplicante, que não sabe escrever".

A história completa está disponível no seguinte link. Interessante não? Ela com 38 anos aproximadamente, conseguiu a "liberdade" de ir e vir.

Quanto custa a sua liberdade financeira?

Hoje, com toda liberdade de ir e vir que temos, nos resta saber: Quanto custará a liberdade financeira? Depende. Talvez para alguns muito. Para os mais modestos pouco. Essa resposta é você quem precisa definir. Existe quem, com um salário mínimo, viva muito bem. Mas existem pessoas que com isso não aguentariam passar muito tempo. Logo, o que é mais importante do que comprar a liberdade? Talvez, saber viver.

Frase motivacional para liberdade financeira

O segredo da felicidade é liberdade e o segredo da liberdade, coragem. (autor desconhecido).

Dica de leitura: O SANTO E A PORCA 

Escrito por Ariano Suassuna, a narrativa teatral oferece bons momentos de risos e descontração. Rimos bastante com a história do Euricão e a sua porquinha. Vale muito a pena. No fim das contas, é muito legal rir da avareza alheia! Surpreenda-se com essa incrível história! "Ai a crise, ai a carestia!"

Até a próxima amigos Poupadores e Investidores. Vocês têm a força! Estamos juntos!

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