13. Por que investir em ações pode ser uma boa para investidores e para o Brasil?

Olá Poupa'dores! Tudo bem? Hoje vamos falar sobre um assunto mais sério e compartilhar o motivo por qual pensamos que investir em ações das empresas pode ser uma boa para você e para o Brasil. Vamos lá: Do ponto de vista econômico quando você torna-se sócio de algum negócio, você passa a ter um olhar diferente de quando você não tem parte nenhuma nos resultados do empreendimento. Você concorda? O olhar do empregado e do dono costumam ser bem diferentes, não é mesmo? Veja bem, temos que concordar que o nosso país além de ser uma nação, também é um GRANDE NEGÓCIO. Acontece que devido ao modelo de negócio instituído no Brasil, sempre tivemos poucas pessoas no controle desse gigante, o que em nossa análise pode estar atravancando o tão sonhado progresso nacional. Desde o começo da colonização fica evidente que não existiu a preocupação em desenvolver a massa, a qual foi submetida e, em boa parte, aceitou o estado de subserviência. Prova disso é a posição do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano - IDH o qual busca nivelar as posições dos países levando em consideração fatores como saúde, educação e renda. Logo, a maioria esmagadora dos brasileiros nunca teve sequer a chance de observar a nação sob o ponto de vista "do dono" pois ignora tal possibilidade. Isso fica bastante claro pelo fato de a maioria da população orgulhar-se do futebol brasileiro, do carnaval, novelas e de suas belas praias, sem dar-se por conta que vivem em uma potência econômica. Não é verdade? Acontece que em "modelos de negócio" diferentes, qual seja o de desenvolvimento, os resultados mostram-se distintos, pois as pessoas se vêem como sócias. É só pesquisar sobre os países que estão no topo do ranking de IDH para ter uma compreensão melhor do que eles fazem para ocupar tais posições. Podemos citar também como exemplo nesse sentido, o povo estadunidense, pois segundo os dados, nos Estados Unidos, um número maior de pessoas têm o olhar "de dono" pois boa parte da população investe em ações das empresas do Tio Sam.

Voltando para a nossa realidade, o número de brasileiros que possuem ações de empresas listadas na Bolsa de Valores do Brasil, revela-se inexpressiva. Segundo a B3, resume-se a pouco mais de 730 mil pessoas físicas. Os dados são de agosto de 2018 e fornecidos por ela. Se você tiver a curiosidade de conferir os dados, aqui está o link: Confira o histórico de perfil dos investidores pessoas físicas da BM&BOVESPA.
Se você parar para pensar, em um universo populacional de: 


milhões de brasileiros, dados do IBGE, é possível afirmar que menos de 1% dos brasileiros investe na bolsa de valores nacional. Certo? É de amplo conhecimento que a maioria prefere guardar as economias em uma poupança (85% dos correntistas bancários) e conforme a AMBIMA no varejo tradicional, (61,6% das aplicações se mantêm concentradas na caderneta de poupança). Outras pessoas resolvem investir em um negócio próprio, quando poderiam estar participando do mercado de capitais e gerando mais riquezas.
Noutro giro, talvez percebendo a problemática, ou não, o Banco do Brasil informou ao mercado, em agosto de 2018, que o banco irá premiar os seus funcionários com ações de emissão do BB, no denominado Programa de Desempenho Gratificado - PDG, o qual prevê uma premiação de até R$100 milhões de reais, sendo metade pago dessa forma. Vejamos parte do informe: "O principal ajuste está na utilização de ações de emissão do BB para pagamento de 50% da premiação dos funcionários qualificados. A premiação será concedida no início de 2019, de acordo com o desempenho dos funcionários no segundo semestre de 2018. É previsto que a premiação total do programa seja de até R$ 100 milhões, o que resultaria em até R$ 50 milhões em ações de emissão do BB, sem restrição para negociação (lock-up), o que representa aproximadamente 0,05% da base acionaria.". Para ler o texto completo acessar: Fato relevante. Referida prática, provavelmente já deve existir em outros países e em outras empresas brasileiras. O que nos chama atenção nesse caso, é a boa prática do BB em despertar o "olhar de dono" nos seus colaboradores e também para a possibilidade deles entrarem para o mercado de renda variável, pois em certa medida isso pode trazer avanços econômicos significativos para o país, por, quem sabe, aumentar o número de investidores, pois, por incrível que pareça, nem todos os profissionais do setor bancário costumam investir no mercado de renda variável.

Nesse passo, queremos alertar que temos a preocupação de democratizar aos brasileiros o acesso aos investimentos em ações das empresas listadas na B3, pois quanto mais pessoas passarem a se ver como economicamente inseridas, melhores poderão ser suas reações frente aos desafios econômicos que costumam rondar países emergentes como o Brasil. 

A possibilidade de as pessoas esclarecerem-se para participar do mercado da renda variável no Brasil, pode ser bastante importante para o desenvolvimento do país, a exemplo do que já ocorre nos United States of America - USA. Pois, nossos vizinhos estadunidenses têm obtido excelentes resultados no campo econômico. Apesar das crises já enfrentadas por eles, tiveram a capacidade de reunir os esforços necessários para revertê-la, certamente pelo fato de investirem pesado na bolsa e em conhecimento. Já em nosso país programas sociais assistencialistas como o Bolsa Família, revelaram-se incapazes de promover os avanços esperados, pois geraram relação de dependência e por vezes desincentivando a inciativa das pessoas por buscarem melhores condições, a não ser, reconhecidamente, que a condição de miserabilidade esteja presente. Pois, apesar de promoverem distribuição de renda, é provável que melhores retornos sejam obtidos de investimentos nas áreas do conhecimento e saúde, pois trarão como resultado a independência. A não ser que seja justamente esse o resultado esperado, qual seja, de mantermos a "nação colônia". Mas se for de outro modo a vontade de nosso povo, será necessário muito investimento em educação e pesquisa com qualidade, pois certamente arrastam as camadas menos privilegiadas com exemplos de superação. Aos que têm condições econômicas, fica a sugestão para que iniciem os seus investimentos na bolsa de valores do Brasil, para que, com o desenvolvimento econômico, possamos gerar mais oportunidades para nosso povo e, consequente, o progresso nacional. E nesse passo, com a tributação da atividade econômica, o Estado brasileiro possa garantir educação básica de qualidade, saúde e algum suporte aos realmente necessitados. 

Para confirmar esse entendimento, compartilhamos com nossos leitores um fragmento dos ensinamentos de Amartya Kumar Sen, Nobel de economia no ano de 1998, escritos no livro Desenvolvimento como liberdade, editora Companhia de Bolso, página 191:

"O que o desenvolvimento humano faz? A criação de oportunidades sociais contribui diretamente para a expansão das capacidades humanas e da qualidade de vida [...]. A expansão dos serviços de saúde, educação, seguridade social, etc. contribui diretamente para a qualidade de vida e seu florescimento. Há evidências até de que, mesmo com renda relativamente baixa, um país que garante serviços de saúde e educação a todos pode efetivamente obter resultados notáveis da duração e qualidade de vida de toda a população. A natureza altamente trabalho-intensiva dos serviços de saúde e educação básica - e do desenvolvimento geral - faz com que eles sejam comparativamente baratos nos estágios iniciais do desenvolvimento econômico, quando os custos da mão de obra são baixos.
As recompensas do desenvolvimento humano, como vimos, vão muito além da melhora direta da qualidade de vida, e incluem também sua influência sobre as habilidades produtivas das pessoas e, portanto, sobre o crescimento econômico em uma base amplamente compartilhada. Saber ler e fazer contas ajuda as massas a participar do processo de expansão econômica (bem ilustrado por Japão e Tailândia). Para aproveitar as oportunidades do comércio global, o "controle de qualidade" e a "produção segundo especificações" podem ser absolutamente cruciais, e trabalhadores que não sabem ler e fazer contas têm dificuldade para alcançar e manter esses padrões. Ademais, existem provas consideráveis de que a melhora nos serviços de saúde e na nutrição também tornam a força de trabalho mais produtiva e bem remunerada."

Por fim, se você quer criar oportunidades para as pessoas mas nunca investiu nas empresas da bolsa de valores, que tal a leitura do texto: Como comprar ações de empresas pela primeira vez sem precisar de uma fortuna? ele pode ser útil para os seus primeiros passos, pois como investidor você, além de contribuir para desenvolver a economia do país, também poderá ter aumento do seu patrimônio com a valorização das ações, receber parte dos lucros do negócio e juros sobre capital. Mas, atenção: lembre-se que todo investimento tem seu risco. Contudo, veja a principal parte, que é participar do mercado e ver a economia por um ângulo diferente e com outra perspectiva adotando posições mais lúcidas diante dos problemas econômicos como a reforma tributária, previdenciária, dentre tantos outros. Ou seja, para o país se desenvolver, precisamos de mais brasileiros com o "olhar de dono"Que tal começar a fazer alguma coisa a respeito? 

A propósito você concorda que o "olhar de dono" pode trazer avanços? Você diverge em algum ponto do texto? Tem alguma contribuição a fazer? Aproveite para elaborar os seus comentários. Para encerrar aqui vai a DICA DE LEITURA:


Desenvolvimento como liberdade 
escrito por Amartya Kumar Sen, Nobel de economia em 1998, editora Companhia de Bolso. Sinopse: "Trata-se de um livro fundamental para entender, sob ângulos não convencionais, a situação econômica e social de países pobres ou em desenvolvimento, como o Brasil, bastante presente nas análises de Sen, que ilustra suas ideias com um grande número de surpreendentes e esclarecedores dados comparativos entre os diversos países."

Amostra grátis disponível na Google Play Livros, link: https://play.google.com/store/books/details?id=ohlfDwAAQBAJ 

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Até a próxima estimados leitores Poupadores

Comentários

  1. Algumas vezes meu pai me levou na Bolsa de Valores no Rio de Janeiro, ele tinha seus investimentos e explicava de forma bem simples, o que era investir em ações. Perguntei uma vez “Papai você está comprando papel?”, e ele achou muita graça. Aprendi com ele que um os principais segredos em lidar com ações é ter disciplina, estipular limites de perdas e ganhos. Ter paciência em momentos de turbulência e não cometer o erro da precipitação. Tenho tido algumas experiências em fundos de renda variável e algumas poucas ações. Não tenho muito conhecimento sobre o assunto e o exposto aqui no tópico 13, foi esclarecedor e deixou aquela vontade de pesquisar e aprender mais sobre o tema.

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  2. Boa reflexão. Uma visão bem diferente da qual estamos acostumados. Realmente, a "visão de dono" pode ser um caminho positivo para a nossa economia, bem como os imprescindíveis investimentos em boa educação, pesquisa e conhecimento. Um apanhado sociológico e político do mercado de renda variável. Valeu!

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  3. "Visão de dono" pode ser resumida em um ditado popular: o olho do dono que engorda o boi. Olhar o país sob o ângulo de "dono" pode ajudá-lo a melhorar o desempenho econômico geral e a engordar nosso patrimônio.

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